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sábado, 25 de maio de 2013

Profissionais pedem o fim do uso das máscaras no comércio



22/06/2010

Uma pesquisa comparou a análise dos alimentos manipulados por pessoas que utilizavam máscaras com outra em que não empregavam o item de ‘proteção’. Por mais incrível que possa parecer, a máscara foi reprovada.

Quem explica melhor é a responsável pela pesquisa, a farmacêutica Lara Iorio, da Aquapharma, único laboratório de Porto Seguro e região que realiza análises microbiológicas de alimentos. “Nós fizemos algumas análises em indústrias de alimentos de alguns de nossos clientes, fazendo o mesmo procedimento com os mesmos produtos com e sem o uso da máscara, e não houve diminuição no número de microorganismos. Pelo contrário, houve um aumento de Staphylococus aureus (superbacterias com funções destrutiva em contato com as células humanas) com o uso da máscara”, afirma.

Segundo a farmacêutica, a máscara a partir de 15 a 30 minutos de uso provoca umidade, as fibras se grudam e a saliva que vai se acumulando traz uma quantidade muito maior de microorganismos. Além de provocar tosse, esse abafamento que a máscara causa, deixa o CO2 retido. Abafado, ele provoca uma retenção de microorganismos no trato respiratório, aumentando a possibilidade de ocorrer infecções pulmonares e, principalmente, causa irritação à mucosa. A partir de então, a pessoa começa a ter coceira, o que a leva a colocar a mão no nariz por baixo da máscara, aonde acontece a contaminação da mão por essas bactérias.

Lara Iorio esclarece que as máscaras descartáveis filtram partículas de até 0,3 micrometros, o que a torna eficaz contra bactérias e fungos, mas não contra vírus, cujo tamanho é, em média, 125 nanômetros. “Por isso nós não recomendamos o uso das máscaras pelos manipuladores de alimentos. E quando você vai usá-la? Quando o ambiente contamina o manipulador, no caso de produtos em pó e farinha, eles estão inalando os produtos químicos do ambiente. A função da máscara é proteger o manipulador de alimentos do ambiente e não o contrário.”, considera.

Blitz educativa

A partir da pesquisa, a farmacêutica e mais dois estagiários do curso técnico em alimentos da IFBA, de Porto Seguro, Queila Niquelén e Patric San, estão recomendando às empresas alimentícias da cidade, a não utilizem as máscaras, por serem anti-técnicas. “A vigilância não tem como obrigar o uso, porque não existe nada que comprove que a máscara seja eficiente. Não tem nenhuma lei específica sobre o assunto”, justifica a farmacêutica.

Eles realizaram uma blitz educativa nas últimas semanas, no intuito de orientar e esclarecer os gerentes dos principais supermercados da cidade.

No material educativo, além do resultado da pesquisa realizada pela Aquapharma, o grupo estava de posse de uma cópia de um veto de 1999, do então governador Geraldo Alckmin, a um projeto de lei que obrigaria o uso de máscaras e luvas. “O governador, baseado nos estudos de vários especialistas e higienistas, explicou o porquê de não obrigar o uso, nem da máscara e nem da luva. Ele considerou que no caso da luva seria opcional. Ela pode ser utilizada, desde que seja trocada e usada sempre na hora da manipulação do alimento que vai ser consumido. O produto final. Por exemplo, na hora de pegar um pão que vai ser entregue ao consumidor, na hora de preparar uma salada, um sanduíche, você usa a luva, mas tem que trocá-la sempre, a cada manipulação exige o uso de uma luva nova. Já a máscara não seria recomendada.”, completa.

O grupo técnico foi em diversos estabelecimentos, começando pelos supermercados e depois passando para os açougues. Nossa reportagem acompanhou o grupo e percebeu que houve uma boa aceitação de todos que receberam as informações e o material educativo.

O gerente do Rondelli (ao lado Shopping Porto Plaza), Fernando Marinho, achou a proposta muito interessante e assumiu que ainda falta muita informação sobre assunto. “A máscara passa uma impressão errada. Vou guardar esse material, até mesmo como prova para qualquer um que argumentar o uso do item. Hoje mesmo vou marcar uma reunião com os funcionários e passar essas novas informações”, avisa o gerente.

No entanto, uma semana depois a situação do supermercado permanece a mesma: funcionários usando a máscara.

Luva e touca

É bom ressaltar que não se pode usar a luva para tocar em outra coisa que não seja o alimento, e é por isso que ela deve ser trocada constantemente. “Se o manipulador de alimento passar o dia com a mesma luva e sem lavar as mãos, a contaminação é bem maior. O ideal é lavar as mãos com água, sabão e álcool 70.”, sugere a especialista.

A utilização de touca é essencial porque ela vai impedir uma contaminação física, protegendo os alimentos dos cabelos que podem cair sobre eles. Isto é o que garante a farmacêutica. “Um fio de cabelo na comida causa repulsa nas pessoas, porque o cabelo é realmente sujo, não tem como lavar com freqüência como as mãos, e ainda acumula muitas partículas de poluição”, comenta.

Self-services de pães

Atualmente, existe um movimento que veio dos grandes supermercados das capitais do sudeste brasileiro, e chegou a Porto Seguro, onde o próprio cidadão se serve nas padarias do supermercado.

Sobre essa nova tendência, Lara Iorio explica que é prejudicial qualquer lugar onde tenha manipulação de alimentos por parte dos clientes. “A maioria dos consumidores não tem o treinamento necessário que os manipuladores de alimentos deveriam ter. O consumidor não lava as mãos antes de se servir, pode ficar conversando perto dos alimentos e às vezes percebemos que uma pessoa tosse ou deixa cair a espátula no chão. O empreendedores devem ficar atentos, porque ele vende os produtos dentro dos padrões, mas acaba deixando o próprio consumidor prejudicá-los. Essa é uma tendência porque facilita o serviço, agiliza, mas não é recomendado dentro dos padrões higiênico e sanitário, porque tudo que é muito manipulado tem facilidade de ser contaminado. Quanto mais gente manipulando, maior a contaminação.”, conclui.


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